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Dra Cleise Silva – Gastroenterologista

Sentir que o alimento volta para a garganta ou apresentar queimação após as refeições pode parecer algo comum.

No entanto, quando esses sintomas acontecem com frequência, podem indicar a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE).

O refluxo ocorre quando o conteúdo do estômago retorna para o esôfago, provocando irritação da mucosa e sintomas que podem afetar significativamente a qualidade de vida.

O que é refluxo gastroesofágico?

O refluxo acontece quando há falha do esfíncter inferior do esôfago, estrutura responsável por impedir que o conteúdo gástrico retorne.

Esse retorno pode causar inflamação, desconforto e, em casos mais avançados, lesões no esôfago.

 

Principais sintomas do refluxo

  • Azia
  • Queimação atrás do peito
  • Gosto amargo na boca
  • Regurgitação
  • Tosse seca persistente
  • Rouquidão
  • Dor no peito
  • Sensação de bolo na garganta

 

O refluxo pode causar complicações?

Sim.

Quando não tratado adequadamente, pode levar a:

  • Esofagite
  • Estreitamento do esôfago
  • Esôfago de Barrett
  • Maior risco de câncer de esôfago

Refluxo e Esôfago de Barrett

Uma das complicações mais importantes da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é o Esôfago de Barrett.

Essa condição ocorre quando a exposição crônica do esôfago ao ácido do estômago provoca uma alteração nas células que revestem sua porção inferior.

Trata-se de um mecanismo de adaptação do organismo à agressão contínua causada pelo refluxo. No entanto, essa mudança celular merece atenção, pois está associada a um maior risco de desenvolvimento do adenocarcinoma de esôfago, um tipo de câncer esofágico.

É importante destacar que a maioria dos pacientes com Esôfago de Barrett não desenvolverá câncer. Ainda assim, o diagnóstico precoce permite acompanhamento adequado e monitorização periódica por meio da endoscopia digestiva alta.

 

esôfago de barret

Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver Barrett:

  • Refluxo gastroesofágico crônico
  • Sintomas de refluxo há muitos anos
  • Sexo masculino
  • Obesidade, especialmente abdominal
  • Tabagismo
  • Idade acima de 50 anos

Na maioria das vezes, o Esôfago de Barrett não causa sintomas próprios. Os pacientes geralmente apresentam os mesmos sintomas do refluxo, como azia, queimação e regurgitação.

Por isso, pessoas com refluxo persistente devem ser avaliadas por um gastroenterologista. A investigação adequada permite identificar precocemente complicações e definir a necessidade de acompanhamento endoscópico.

 

Como é feito o diagnóstico?

Os principais exames incluem:

  • Endoscopia digestiva alta
  • pHmetria esofágica
  • Manometria esofágica

Tratamento do refluxo

O tratamento envolve:

  • Mudanças alimentares
  • Controle do peso
  • Suspensão do tabagismo
  • Medicamentos para reduzir a produção de ácido
  • Cirurgia em casos selecionados

Quando procurar um gastroenterologista?

Se você apresenta azia frequente há vários anos, especialmente associada a regurgitação ou necessidade constante de medicação para controle dos sintomas, é importante procurar avaliação especializada. O diagnóstico precoce pode contribuir para a prevenção e detecção precoce de alterações mais graves.

 

Perguntas Frequentes

Refluxo e azia são a mesma coisa?

Não. A azia é um dos principais sintomas do refluxo gastroesofágico, caracterizada pela sensação de queimação no peito ou na garganta.

Refluxo pode causar câncer?

O refluxo crônico pode levar ao desenvolvimento do Esôfago de Barrett, uma condição que aumenta o risco de câncer de esôfago. No entanto, a maioria dos pacientes com Barrett não desenvolverá câncer.

Quem tem refluxo precisa fazer endoscopia?

Nem sempre. A necessidade da endoscopia deve ser avaliada pelo gastroenterologista, especialmente quando há sintomas persistentes ou sinais de alerta.

Refluxo tem tratamento?

Sim. O tratamento pode incluir mudanças de hábitos, controle do peso, ajustes na alimentação e uso de medicamentos quando indicados.

Conclusão

O refluxo não deve ser encarado como algo normal. O diagnóstico precoce ajuda a prevenir complicações e melhora significativamente a qualidade de vida.